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Mineração

Terça-feira, 08 de Outubro de 2019

 
     

Manifesto da Agapan defende consulta pública para as 170 minerações aprovadas no RS

  

O Rio Grande do Sul sempre foi expoente da luta ambientalista moderna, na qual, além da preservação, se discute a forma de desenvolvimento da sociedade. A Agapan lança este manifesto e convoca os gaúchos para garantir o futuro do Rio Grande.

  


Por AGAPAN

A Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – foi criada em 1971, antes mesmo do próprio Greenpeace. A entidade é pioneira no Brasil e uma das primeiras do mundo na luta ambiental. A Agapan foi o berço da agroecologia, especialmente por seu primeiro presidente, José Lutzenberger, ter saído de uma multinacional de agrotóxicos para se alinhar na luta contra os venenos junto com os demais fundadores da Agapan.
 
Por influência dos ambientalistas, o RS acumula vários pioneirismo no Brasil, como a criação da primeira secretaria municipal de Meio Ambiente, primeiro órgão estadual de Meio Ambiente, um dos primeiros mestrados em Ecologia do país ( na UFRGS), criação da lei de podas, lei dos agrotóxicos e a lei dos recursos hídricos, entre outras que serviram de referência para todo o país. 
 
Esses movimentos históricos e de vanguarda demonstram uma sensibilidade cultural e de valores de nosso povo. Conseguimos chegar ao século 21 sem termos destruído nosso Estado de forma irreversível e, hoje, somos e podemos ser ainda mais atrativos para o desenvolvimento do futuro, com novos valores e nova qualidade de vida. Somos o ambiente perfeito para empresas sustentáveis que querem qualidade ambiental e pagam bons salários. Está tudo pronto graças a 48 anos de lutas das entidades ambientalistas e simpatizantes. Temos o melhor futuro pela frente, devido ao nosso passado.
 
PROTEGER AS ÁGUAS
Os planejadores urbanos pelo mundo têm se dado conta de que uma das mais importantes necessidades de um município é água de boa qualidade. Boa parte das cidades é cercada por atividades industriais e agrícolas poluentes, cujos rejeitos contaminam a água de abastecimento. Isto tem feito com que este municípios invistam grandes somas em áreas de proteção e de produção agroecológica, que constituem formas de não poluir e de preservar/filtrar a água. Junto com isso, várias outras vantagens: ar puro, estabilidade térmica, beleza estética, e outros.
 
Porto Alegre tem de graça um cinturão verde agroecológico, que muitas cidades modernas da Europa e EUA estão investindo milhões para ter. Os assentamentos agroecológicos de trabalhadores rurais implantados na região da Grande Porto Alegre contribuem para que a cidade receba desta região o que de melhor um município pode ter: ar limpo, água filtrada, proteção climática/de flora/fauna/de ruídos e ainda excelentes alimentos orgânicos para sua população. É justamente nesta região que uma empresa, por ambição desmesurada, tem um projeto para implantar a maior mina de carvão da América Latina, dentro da região metropolitana a 16 km do centro da capital do Estado. Como se não bastasse, a empresa quer retirar um assentamento de produtores agroecológico campeões na produção de arroz e de hortifruticultura orgânicos. 
 
ATIVIDADE POLUENTE
Uma iniciativa ilógica para tempos em que países da Europa e a China buscam fugir do uso de combustíveis fósseis, em especial do carvão, por ser esta a energia mais poluente. Atualmente, Inglaterra e Alemanha fecham suas minas de carvão e a China cria suas novas cidades verdes e com energia limpa. No mundo inteiro milhões de jovens e adultos saem às ruas pedindo o fim dos combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão mineral porque contribuem para as mudanças climáticas e comprometem o futuro do Planeta. A produção de energia tem sido revolucionada no mundo. As formas limpas de produção como a solar e eólica se tornaram também as mais baratas. Além disto, a produção
descentralizada de energia é uma conquista importante para a sociedade, já que barateia a transmissão e diminui perdas. No mundo inteiro as regiões do carvão têm populações pobres e doentes. O carvão nunca melhorou a qualidade de vida de ninguém, exceto, talvez, dos donos das minas que vão morar e gastar seu dinheiro bem longe da poluição que produzem.
 
Vejamos algumas consequências que esta mina poderia trazer: destruição do maior manancial de água límpida para abastecer a zona metropolitana futuramente; destruição do cinturão agroecológico da capital, destruição da saúde metropolitana através de gases e particulados cancerígenos no ar; ruídos; destruição do Parque Delta do Jacuí, o maior parque próximo a uma capital; rebaixamento e contaminação do lençol subterrâneo e do Jacuí, destruição da atividade agrícola regional.
 
O argumento de que o empreendimento vai gerar empregos cai por terra quando se analisa o balanço total, que subtrai as vagas perdidas na agricultura já existente e em outras atividades que vão sucumbir. A arrecadação de impostos com a mineração é mísera comparada aos danos causados à sociedade e não computa as despesas com os consequentes tratamentos de saúde da população. A Mina Guaíba significa a destruição simbólica e prática do futuro do Estado do Rio Grande do Sul que, ao minerar a sua própria capital, passará a repelir qualquer tipo de investimento limpo e de futuro.
 
CONSULTA PÚBLICA
A população gaúcha tem o direito de exigir uma consulta pública para as 170 minerações aprovadas no estado e que podem transformar o Rio Grande numa nova versão de Minas Gerais com Brumadinho. O Rio Grande do Sul tem o direito de colher neste novo milênio os frutos de 48 anos de luta pela qualidade vida de todos. Temos hoje a maior rede de agroecologistas do país, temos o único bioma natural para produção de carne orgânica em pasto natural do Brasil, temos uma população que ama a natureza e uma excelente qualidade de vida. Não queremos ser mineradores.
 
Francisco Milanez - Presidente da Agapan
Agapan/EcoAgência

  
  
  
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