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Biodiversidade

Domingo, 24 de Novembro de 2013

 
     

Pecuária bem manejada pode preservar o bioma Pampa

  

A principal preocupação em relação ao campo é seu desaparecimento, resultado da troca da pecuária por outras atividades mais lucrativas. Atualmente, a soja é a pior vilã

  

Raíssa Genro    
Velez, Nabinger e Jaworski durante o debate


Por Raíssa Genro - especial para a EcoAgência

Localizado na metade sul do Rio Grande do Sul, o bioma Pampa é o segundo mais degradado do Brasil. Tendo como panorama este cenário foram discutidas a realidade, iniciativas e formas de preservação dos campos nativos no debate Conservação e manejo do Pampa, na programação da série Debates Ambientais, em comemoração aos 10 anos da ONG Igré – Associação Sócio Ambientalista, com a parceria do Instituto de Biociências - UFRGS e da Agência Bonaparte. A atividade ocorreu na quinta-feira, 21 de novembro, no auditório do Instituto de Informática da UFRGS, em Porto Alegre.

 

O biólogo Eduardo Velez, doutor em Ecologia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) iniciou descrevendo os diversos tipos de vegetação que compõem o Pampa, apresentando onde ainda há presença de vegetações nativas e ressaltando a heterogeneidade do bioma. Ele é formado 18,4% por campos, 6,6% por florestas, e 11% por formações savânicas (onde ocorre campo com árvores). Velez ressaltou que a principal ameaça ao Pampa é a agricultura, com a soja sendo a pior vilã. Para vencer a disputa de preservação o biólogo destacou a necessidade de aumento do  conhecimento científico, criação de unidades de conservação, limitações no uso (como o zoneamento agroecológico da silvicultura e o Código Florestal), o uso sustentável, exemplificado pela pecuária sustentável e restauração, pouco conhecida ainda  nos Campos do Pampa.

 

“Os pecuaristas são aqueles que fazem a preservação dos campos, não é o governo”, assim iniciou o agrônomo Rogerio Jaworski, mestre em Zootecnia pela UFRGS e coordenador da Alianza Del Pastizal no Brasil, entidade que reúne iniciativas de conservação nos campos do Conesul. Através de diversas pesquisas existentes é comprovado que o campo precisa de pastejo para seguir existindo, pois dessa forma evita-se a expansão de outros tipos de vegetação além de queimadas descontroladas. Por isso a importância do trabalho dos pecuaristas, mais do que a criação de leis. Jaworski falou sobre o projeto Carnes Del Pastizal, que organiza um selo das carnes produzidas nos campos de forma sustentável.

 

De extrema importância, porém baixa rentabilidade. Este é o problema levantado pelo agrônomo Carlos Nabinger, doutor em Zootecnia pela UFRGS. A principal preocupação em relação ao campo é seu desaparecimento, resultado da troca da pecuária por outras atividades mais lucrativas. “É necessário dar incentivos à pecuária, levar ao produtor tecnologias de processos que não envolvam a compra de insumos”, salientou. Nabinger realiza estudos que mostram como a pecuária pode produzir mais, otimizando a produtividade com os recursos que se tem e isso passa, especialmente, pelo ajuste da carga animal.

 

Finalizando o debate, o biólogo argentino Aníbal Parera, ex-coordenador da Alizanza del Pastizal, falou através de conferência via skype, apresentando o trabalho da instituição na busca pela criação de incentivos governamentais para os produtores que conservam o bioma Pampa, uma vez que são mantenedores de serviços ecossistêmicos.


EcoAgência

  
  
  
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