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Jornalismo Ambiental

Sábado, 03 de Agosto de 2013

 
     

Obra de transposição do Rio Cravo avança ao contrário da infraestrutura do abastecimento em Erechim (RS)

  

Entidade ambiental afirma que as tubulações e as redes que levam a água até as residências estão defasadas, tanto que a perda de água tratada chega a quase 40%  

  

Laura Coutinho    
Vanderlei Decian mostra os locais por onde passa a obra de transposição


Por Laura Coutinho*

No verão de 2012, Erechim (RS) enfrentou a pior estiagem já registrada. Com índices pluviométricos baixíssimos e com a barragem da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) em nível crítico, os moradores foram obrigados a se adaptar ao racionamento. Com água disponível por espaços curtos de tempo, as atividades domésticas, cotidianas e, também as industriais, se tornaram restritas. Nesse período de estiagem foram totalizadas mais de 800 horas sem abastecimento de água. Após várias críticas sobre a gestão dos recursos hídricos a unidade regional da Corsan apresentou a transposição do Rio Cravo, pertencente à Bacia do Rio Passo Fundo, como solução para o problema da falta de água em Erechim. 
 
Em abril do mesmo ano, houve a renovação do contrato entre o governo municipal e a concessionária de água, e o início das obras do complexo de 16 quilômetros que pretende levar a água do Rio Cravo até a barragem do Arroio Ligeirinho, o qual abastece a Corsan no município. A Prefeitura Municipal de Erechim e a Corsan, responsáveis pelo projeto de transposição do Rio Cravo, prometem duplicar a capacidade de abastecimento. “Um estudo elaborado por técnicos demonstrou que o Rio Cravo apresenta as condições necessárias, tanto de viabilidade técnica quanto econômica, inclusive em períodos de estiagem, ou seja, a vazão do rio garantirá o abastecimento de água para a Corsan por pelo menos mais 30 anos,” afirmou o gerente da unidade regional da Corsan, Rudimar Passaglia. A obra é financiada através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, que disponibilizou mais de R$ 32 milhões para o projeto. O prazo de conclusão da obra era outubro de 2013, mas a previsão é de que ocorra em abril de 2014. “Imprevistos em questão do relevo, por ser muito rochoso, muita precipitação pluviométrica, problemas com licenciamento ambiental e alguns aspectos em relação às indenizações aos proprietários por onde a obra passa, atrasaram as construções. Tivemos também que responder aos questionamentos sobre situações ambientais, o que não chegou a paralisar a obra, mas prejudicou seu andamento,” explicou Passaglia. 
 
Para a presidente do Instituto Sócio-Ambiental Vida Verde (EloVerde), Rosane Peluso, diversas questões deveriam ter sido feitas desde sobre a qualidade da água do Rio Cravo, à situação ambiental desse manancial até sobre a real necessidade de se realizar a transposição. “Antes de fazer a transposição, outros investimentos poderiam ser feitos como gestão preventiva e também de atualização e modernização da própria infraestrutura. Toda a infraestrutura de abastecimento, as tubulações, as redes que levam a água até as residências estão defasadas, de forma que a perda de água tratada chega a quase 40%. Deve ser feita a modernização e a revisão de toda a malha hídrica que abastece a cidade para diminuir essa perda,” defendeu.
 
Críticas também foram feitas à renovação do contrato entre a prefeitura e a concessionária, já que a Corsan descumpriu contratos anteriores, como a situação do tratamento do esgoto no município, que segundo o presidente do Comitê da Bacia Apuaê-Inhandava, Vanderlei Decian, poderia ser hoje uma das soluções para o abastecimento de água principalmente nos períodos de estiagem. “No decorrer da história de abastecimento público de Erechim havia contratos que previam o sistema de tratamento de esgoto. Em 2012 deveríamos ter cerca de 80% de esgotamento tratado, mas o descumprimento dessas normativas por parte principalmente da Corsan resultou o vencimento do contrato, e a situação de não ter o esgotamento tratado. O Rio Tigre, o qual poderia ser de abastecimento público e que supriria a necessidade de água da cidade, estava totalmente inviável de utilização por causa da carga orgânica e do tipo de resíduo que ele recebe, inviabilizando-o como manancial de abastecimento,” afirmou. 
 
O Rio Tigre passou por avaliação ambiental e foi enquadrado na Classe 3, sendo que a água para poder ser destinada ao consumo humano deve ser Classe 1, de acordo com a resolução 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), em função de toda a carga de efluentes domésticos e industriais gerados na área urbana de Erechim. “O mais complicado é que vamos extrair água de um manancial o qual tem apenas 12% a 15% de vegetação, isso demonstra que essa água tem teoricamente a probabilidade de ter uma carga muito grande de metais pesados e de nitrogenados, como adubos, em função da agricultura, e esses condicionantes vão exigir mais cuidado na hora de tratar essa água,” alerta Decian, que é mestre em Ecologia.  
 
Enquanto o cronograma de realização da obra para a transposição do Rio Cravo avança, tramita uma ação civil pública contra a Prefeitura Municipal de Erechim e a Corsan. A alegação é de que como responsáveis pela gestão dos recursos hídricos do município, os gestores falharam e prejudicaram toda a população com a falta de abastecimento regular no período de estiagem em 2012. “Como o dano moral é coletivo e a indenização ocorre em dinheiro, essa indenização é destinada a um fundo que recebe esses recursos nessas situações, para compensar situações equivalentes no futuro, ou seja, o dinheiro não vai para cada consumidor individualmente, mas sim para um fundo especial que deve reverter o dinheiro caso ocorra situações parecidas como essa no futuro,” explicou o professor de Direito da Universidade Regional Integrada, campus Erechim, e Procurador do Estado, Rogério Mesquita.  
 
 
 
*Acadêmica de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen, autora da reportagem com a orientação da Professora Cláudia H. de Moraes. Edição de Eliege M. Fante, especial para a EcoAgência. 
 
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