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Mudanças Climáticas

Terça-feira, 22 de Outubro de 2013

 
     

É preciso que a gestão de risco climático dentro das cidades seja usual, avalia pesquisadora

  

Para que de fato exista uma cultura de prevenção é fundamental haver educação formal e informal, também com as crianças e empoderamento dos gestores públicos e privados 

  

Reprodução Fiocruz    


Por Sarah Bueno Motter - Redação Planeta Verde

A redação do Planeta Verde entrevistou a coordenadora geral do estudo, Mapa de vulnerabilidade da população dos municípios do Estado do Rio de Janeiro frente às mudanças climáticas, Martha Barata. A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), a Fiocruz Minas e o Centro Clima – COPPE/UFRJ e integrou diversos indicadores, sociais, ambientais e de saúde para avaliar como estão os municípios do Rio de Janeiro frente aos desafios da mudança do clima. O estudo foi publicado em agosto.
 
Martha é docente no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Publica/Fiocruz, membro da Urban Climate Change Research Network (Columbia University - USA) e colabora com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
 
Você pode explicar como funciona o índice de vulnerabilidade utilizado no Mapa e como ele consegue agregar a complexidade de fatores de saúde, ambientais e sociais relacionadas às mudanças climáticas?
 
Martha Barata - O coordenador técnico do estudo, doutor Ulisses Confalonieri, vem trabalhando, desde a década passada, com indicadores de vulnerabilidade e mudança do clima. Utilizamos no estudo um indicador composto, que sintetiza várias variáveis em um único número índice. 
 
A montagem dos indicadores foi toda baseada na literatura científica e no conhecimento de especialistas. Os indicadores de saúde, social e ambiental foram construídos e estes, agregados, formam o indicador de vulnerabilidade geral (IVG). Para gerar o indicador municipal (IVM), incorporamos o perigo, que são os cenários climáticos que nos foram fornecidos pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Por conta disso, avaliamos a vulnerabilidade dessa população. Estando com esse Mapa, o Estado pode priorizar as ações. Nós entendemos que esses indicadores representam a vulnerabilidade da população, não estamos trabalhando com outros tipos de vulnerabilidade.
 
O indicador da saúde se refere à sensibilidade da população. Dentre as doenças que tem uma relação com o clima, identificamos a dengue, leptospirose, leishmaniose e mortalidade infantil, para compor esse indicador. O social é a capacidade de resposta dessa população. Avaliamos a estrutura familiar, se há muita idosos e crianças, o que influencia na resposta de uma enchente, por exemplo. Avaliamos se as pessoas tem ou não acesso ao trabalho, pois isso mostra o empoderamento dessa população. Pobreza não é só falta de renda, é a falta de possibilidade de resposta aos impactos.
 
E a outra variável foi a ambiental, considerando quais aspectos do ambiente que tem interferência no bem estar da população e que ao mesmo tempo são sensíveis ao clima. Vegetação é relevante, biodiversidade também, estamos em área costeira, existem estudos que apontam a elevação do nível do mar com a mudanças climáticas. Outro indicador são as mortes por conta de eventos extremos nos municípios, usamos uma série de 14 anos concedida pela Defesa Civil.
 
O Rio de Janeiro é o município com maior risco, segundo o índice, o que isso significa? 
 
Martha Barata - Na cidade do Rio de Janeiro a vulnerabilidade é maior por conta da questão da saúde, é um indicador que acaba impactando a vulnerabilidade da cidade. Tem a parte ambiental, o Rio de Janeiro tem uma riqueza muito grande na parte de florestas urbanas, elas vão ser afetadas na mudança do clima, segundo os estudos científicos que nós temos até hoje. 
 
Há necessidade de se manter, de cuidar e de preservar a vegetação da cidade do Rio. Na questão de eventos extremos, nosso indicador mostra, a região serrana e a cidade do Rio de Janeiro como mais vulneráveis, mais que outros municípios do estado. A gente sabe que infelizmente as pessoas ocupam de forma irregular os locais.
 
Quais são as políticas públicas fundamentais a serem tomadas para prevenção e mitigação dos riscos das mudanças climáticas?
 
Martha Barata - Nas cidades, onde se tem um agrupamento cada vez maior de pessoas, o risco de um evento climático extremo acaba sendo maior. Em Nova York, por exemplo, há um programa de gestão de risco climático com um grupo de resilência. Depois do furacão Sandy, em 2012, os impactos não foram tão grandes nessa cidade, pois eles já tinham essa avaliação da vulnerabilidade da cidade e já havia propostas para reagir às emergências, quando necessário. 
 
O principal é a integração. É gestão integrada, não é o setor de saúde, separado do planejamento. Por isso a importância do indicador composto. É tentar trabalhar a gestão integrada, transporte, saúde, planejamento urbano, moradia, saneamento, essa que é a ideia. 
A mudança do clima é cenário futuro, mas você tem que trabalhar para reduzir a vulnerabilidade hoje. Reduzir o impacto do perigo de mudança clima. Outro ponto é integrar os cenários climáticos no planejamento urbano das cidades e dos empreendimentos que estão sendo implantados. A mudança do clima vai afetar não só a vegetação, mas também a agropecuária, as indústrias, a saúde. Gestão do risco climático deve ser algo usual dentro do planejamento das cidades.
 
Além de estudos científicos e políticas públicas, o que mais é fundamental para que de fato se exista uma cultura de prevenção? 
 
Martha Barata - Educação formal e informal, também com as crianças. Empoderamento dos gestores públicos, privados e dos empreendedores. Promoção da saúde e levar o conhecimento para a população, no nível micro das cidades.
 
Confira o mapa
Planeta Verde - EcoAgência

  
  
  
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