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Biodiversidade

Sábado, 03 de Dezembro de 2016

 
     

Especialista destaca impactos da lama da Samarco/Vale-BHP sobre a biodiversidade e a saúde humana

  

Consequências do acúmulo de metais pesados no organismo, podem ser alterações nas funções fisiológicas, alterações morfológicas, carcinogênese (indução do câncer) e até mesmo a morte

  


Por Século Diário

Os níveis excessivos de metais essenciais como ferro, cobre e zinco nos tecidos de organismos aquáticos podem causar danos oxidativos às proteínas, lipídios e ao material genético (DNA) associados, além de uma situação de estresse oxidativo. As consequências podem ser alterações nas funções fisiológicas, alterações morfológicas, carcinogênese (indução do câncer) e até mesmo a morte.

No caso dos metais não essenciais à vida, tais como chumbo, cádmio e arsênio, mesmo em concentrações reduzidas, é passível haver absorção pelo organismo e indução dos mesmos danos biológicos.

No ser humano, os processos de absorção, acumulação e metabolização dos metais são semelhantes àqueles observados nos organismos aquáticos. Consequentemente, novamente, os mesmos danos biológicos são passíveis de ocorrer.

A partir desses pressupostos e dos dados coletados em duas expedições de pesquisa e monitoramento feitos a bordo do Navio de Pesquisa Soloncy Moura, entre o norte do Espírito Santo e o sul da Bahia, é possível considerar a possibilidade de danos à biodiversidade e à saúde humana, devido à presença dos resíduos de mineração vazados da Barragem de Fundão, da Samarco/Vale-BHP, no dia cinco de novembro de 2015.

“Em suma, contaminações excessivas da água e da biota aquática podem levar à redução nas populações das espécies e na biodiversidade aquática, bem como provocar riscos à saúde humana”, afirmou o oceanólogo Adalto Biacnhini, professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e doutor em Oceanologia pela Université de Liège (Bélgica).

Na região pesquisada pela equipe do Dr. Adalto, os índices de todos os metais analisados encontravam-se muito acima do permitido pela legislação durante a primeira expedição, entre janeiro e fevereiro. Na segunda, realizada em abril, os índices baixaram bastante, a ponto de estarem dentro dos parâmetros legais, com exceção do ferro. A terceira expedição será realizada a partir da próxima segunda-feira (5), havendo possibilidade de aumento dos índices devido ao aumento de material carreado em consequência do início da estação chuvosa.

O pesquisador apresentou esses e outros dados, levantados nas duas expedições, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa nessa quarta-feira (30). Foi solicitada pela ONG Juntos SOS ES Ambiental e realizada pela Comissão de Saúde.

Norte da Foz 

A área estudada ainda não foi reconhecida como atingida pela Samarco/Vale-BHP, o que impede o acesso dos moradores às – parcas – medidas de compensação de danos, apesar de todas as evidências técnicas já levantadas por diversos estudos, mesmo anteriores ao do Dr. Adalto.

O oceanólogo refirmou que a região é afetada sim pela lama “especialmente durante regimes de alta pluviosidade na bacia de drenagem e mudanças na circulação marinha decorrentes de alterações na circulação das massas de ar ao longo da costa”.

O evento contou com a presença de atingidos ao norte (mesmo não reconhecidos) e ao sul da Foz, do Fórum Capixaba de Entidades em Defesa do Rio Doce, de técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Secretaria de Meio Ambiente de Vitória.

Na avaliação do presidente da Juntos, Eraylton Moreschi Junior, foi lamentável a ausência dos gestores estaduais, apesar do convite feito aos secretários estaduais de Meio Ambiente e Saúde.

Outra ausência reclamada durante a audiência foi dos órgãos de saúde e principalmente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que deveria, a partir dos dados ambientais disponibilizados, aprofundar os estudos e determinar mais precisamente quais os impactos reais que a água do Rio Doce e do mar e que o consumo de pescado e crustáceos ao longo do Rio e de todo o litoral capixaba podem provocar na saúde da população.

“Esses níveis que se encontram no pescado, com a frequência de consumo e quantidade de consumo, se ele vai causar, baseado nos índices da Organização Mundial da Saúde, toxicidade ou não, isso quem tem que fazer são os colegas da Vigilância Sanitária”, explicou o pesquisador.

Adalto ressaltou também “a necessidade premente que temos no Brasil de gerar mais conhecimento sobre as ‘condições naturais’ dos nossos principais ecossistemas, sejam eles aquáticos ou terrestres, para que possamos dimensionar e valorar adequadamente o impacto ambiental causado por tragédias como essa”. E a importância de uma ação integrada, coordenada e efetiva de todos os atores envolvidos no processo. “Só assim poderemos avançar de uma forma mais adequada na solução dos problemas que estamos enfrentando”, convocou. 

 

Século Diário / EcoAgência

  
  
  
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