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Jornalismo Ambiental

Sábado, 03 de Agosto de 2013

 
     

Lixo evidencia descaso com área de preservação no interior gaúcho

  
Bióloga alerta que o Parque Faguense precisa de acompanhamento e monitoramento e sugere a criação de parcerias com as universidades para mudar a situação 
  

Maira Kempf    
Lixo se acumula no Parque Natural Municipal da Vila Faguense, Frederico Westphalen (RS)


Por Maira Kempf*

Um lugar próximo ao perímetro urbano com imensa área verde, cachoeiras, belas paisagens e que poderia ser aproveitado pela comunidade. Mas não é devido ao descaso das autoridades e, também, da própria comunidade. Este é o parque conhecido como "Faguense" situado em Frederico Westphalen (RS). O descaso se evidencia especialmente pelo lixo que se acumula por toda parte. Segundo a bióloga e especialista em Ciências Ambientais, Gabriela Andrighe Colombo, todos os tipos de lixos agridem a natureza se não são tratados corretamente. Ela considera importante diferenciar o lixo do resíduo, já que os dois estão presentes na área de proteção ambiental. O primeiro é todo o material que não pode ser reaproveitado e tem origem animal ou vegetal. Por exemplo, restos de alimentos, madeira e papel. A bióloga diz ainda que se esses materiais não forem tratados adequadamente, geram contaminantes. O segundo, por sua vez, é o material que pode ser reaproveitado, por exemplo, PET’s, plásticos, latinhas, vidros, sucatas, entre outros. Contudo, ambos poluem, principalmente devido ao volume acumulado que verificado na área de preservação do município do interior gaúcho. Dentre as consequências estão os entupimentos de bueiros, a poluição de mananciais e uma grande poluição visual. O parque possui alguns latões que deveriam servir como lixeiras, mas a maioria dos visitantes os ignora. 

 
Desde 2010, o Parque Natural Municipal da Vila Faguense se tornou um local de proteção natural. A Lei 3.607 determina em seu primeiro artigo que o objetivo é : “a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas, desenvolvimento de atividades de educação, interpretação ambiental, recreação em contato com a natureza, bem como de turismo ecológico e lazer da população em geral”.  Legalmente é um lugar de preservação, mas está abandonado. Gabriela afirma que o parque precisa de cuidados, acompanhamento e monitoramento. “Possuímos cursos em nossas universidades que, juntos, poderiam colocar em prática várias atividades. Basta a união e a cooperação para mudar e direcionar o Parque Faguense como real parque de preservação,” enfatizou. 
 
A origem do nome do parque remete a 1964, quando se instalou no lugar um sindicato rural denominado Frente Agrária Gaúcha (FAG). Os sindicalistas que eram devotos de Nossa Senhora de Lourdes promoveram uma festa em honra à santa no ano seguinte. Uma imagem dela encontra-se até hoje dentro de uma gruta, em meio às pedras do parque. 
 
São aproximadamente 44.000m2 de área natural. Além de ponto de encontro de famílias, o lugar também foi sede da Vila Faguense, com igreja, salão de festas e escola. As festas reuniam centenas de pessoas, mas atualmente o salão está desabando, a escola foi fechada e transformada em igreja. Agora, a festa ocorre a céu aberto. O estudante Itamar Natali, morador da região, conta que há alguns anos acontecia, no dia da festa, um torneio de futebol, o que se tornou impossível nas condições atuais do parque. 
 
Mesmo com inúmeras reportagens da imprensa local veiculadas em anos anteriores e iniciativas de projetos por parte de alguns vereadores e verbas vindas com o apoio de deputados, o Parque Faguense continua em situação precária. Mas o Secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Frederico Westphalen, Sidinei Barbieri, afirma: “na atual administração o parque em hipótese alguma foi deixado de lado”.
 
O secretário disse também que a prefeitura encaminhou projetos por meio de emendas de viabilidade e acessibilidade que se forem aprovados, a verba será destinada para a reforma das escadarias, a construção de banheiros novos e de uma guarita para garantir a segurança dos visitantes. 
 
A visitação é diária, garante a moradora da Vila Faguense, Cristiana Milani. Mas, a procura é maior durante o verão quando os mais aventureiros encontram o chamado “Panelão”, local que atrai os banhistas, principalmente jovens. Os fiéis de Nossa Senhora de Lourdes ainda visitam o Parque para orar diante da imagem da santa. Entretanto, para voltar ao movimento normal de visitantes, segundo a moradora, seria preciso garantir a estrutura e a segurança do Parque. “É fundamental termos um espaço voltado à toda a comunidade, gratuito e com infraestrutura adequada,” disse. 
 
 
 
*Acadêmica de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen, autora da reportagem com a orientação da Professora Cláudia H. de Moraes. Edição de Eliege M. Fante, especial para a EcoAgência. 
 
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