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Biodiversidade

Segunda-feira, 05 de Setembro de 2011

 
     

Flora do Pampa: conservação no Rincão Gaia mostra usos possíveis

  

A tansagem, a serralha e a parietália são ricas em sais minerais e proteína vegetal. Já a cevadilha e o trevo nativo são gramíneas excelentes para o pastoreio

  

Eliege Fante    
Brack mostra a maricá que é melífera e a madeira pode ser utilizada como lenha


Por Eliege Fante - especial para a EcoAgência

Em três trilhas, diria um “apaixonado pela natureza” - ou em três saídas ao campo, diria um biólogo - foi possível listar 50 espécies da flora nativa do Bioma Pampa. Deste total, 20 espécies eram, no mínimo, alimentícias. Este é um dos resultados da avaliação dos participantes do curso Paisagem e Sustentabilidade, que aconteceu neste fim de semana (3 e 4/09) no Rincão Gaia, em Pantano Grande. O curso foi ministrado pelo professor Paulo Brack, e a realização é da Fundação Gaia - Legado Lutzenberger.

Na natureza, a diversidade é o princípio elementar. A participação no curso sobre a flora gaúcha atendeu também a este preceito e reuniu no perfil dos inscritos diversas áreas, como da engenharia elétrica, da medicina, do jornalismo, além da biologia. Após um reforçado café da manhã e uma aproximação de conceitos como Flora, Vegetação e Biodiversidade, os participantes do curso, ao botar o pé para fora da Casa Comunal do Rincão Gaia, auxiliados pelo professor Brack, passaram a pisar, ao invés do chamado campo-sujo ou capoeirão, em um campo misto. O caraguatá é um parente da cenoura, da salsa, uma planta comestível. Dela existem ao menos três espécies no Bioma Pampa e podem ser servidas como salada.  Mas por quê mesmo sendo gaúchos e tendo sido criados em pleno Bioma Pampa desconhecemos a nossa flora? 

A resposta a esta pergunta implica o apontamento das ameaças à biodiversidade dos campos sulinos que abrangem todo o estado até o Uruguai e a Argentina: a fragmentação dos habitats e a degradação e/ou conversão dos campos. No primeiro caso, segundo Brack, as espécies da flora e também da fauna poderiam ter a sua preservação assegurada a partir da criação de corredores ecológicos, de unidades de conservação e parques, por exemplo, nas propriedades rurais. “O turismo ecológico e rural também são importantes e estratégicos para manter a paisagem original do Pampa e agregar valor e renda com os produtos da biodiversidade associada”, afirma.

Em relação à conversão dos campos, verifica-se nos casos em que o agronegócio está presente com as suas lavouras de sementes transgênicas ou clonadas plantadas em extensas áreas. Assim, as ervas e os arbustos nativos passam a ser vistos como “ervas-daninhas”, um apelido que atende mais ao modelo vigente predador da natureza e concentrador de renda e riquezas do que ao interesse público de desenvolvimento social e preservação em favor do bem-estar tanto da presente geração quanto da futura. Dentre as vítimas deste sistema estão a tansagem, a serralha e a parietália, ricas em sais minerais e proteína vegetal. A cevadilha e o trevo nativo, então, são gramíneas nativas excelentes para o pastoreio, mas acabam negligenciadas, conforme o professor.

O caso da espinheira-santa ou cancorosa merece destaque. Brack explica que este arbusto espinhoso típico do Bioma Pampa teve suas substâncias patenteadas por uma empresa japonesa devido suas propriedades curativas. Por exemplo, pode ser usada visando a proteção contra gastrite e úlcera gástrica. A preferência pelo que é exótico, estrangeiro, como a sojicultura e a eucaliptocultura, possivelmente uma das consequências da colonização prolongada no país, ignora o sabor dos frutos da araçá, da pitangueira, da jurubeba, da arumbeva, do butiá, do gerivá, do camboim. Ignora também, as suas propriedades medicinais e os diversos usos possíveis com a sua madeira, como são os casos do maricá e do açoita-cavalo. Inclusive, esta flora possibilita o uso através da conservação, um valor subestimado paradoxalmente em tempos de aquecimento global e de mudanças climáticas, em que o desmatamento é duramente criticado em outros biomas do país, principalmente o amazônico, e descuidado no Pampa.

Dentre as plantas listadas tanto pelos olhares mais experientes quanto pelos menos treinados estavam 12 com características ornamentais. Podem ser arbustos como a flor de lantana, uma folhagem como a samambaia preta, uma árvore como a aroeira salso ou o espinilho. Brack destaca que, não raro, a vegetação pampeana acumula valores como esta última árvore citada que atende também a aromatização. A Fundação Gaia - Legado Lutzenberger realiza até o fim de 2011 mais cursos neste local que representa uma mostra da biodiversidade do Bioma Pampa, envolvendo a temática do desenvolvimento a partir do manejo adequado e da conservação dos campos.

Mais informações podem ser obtidas através do site http://www.fgaia.org.br/

 

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