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Sábado, 28 de Dezembro de 2013

 
     

Força-tarefa inicia buscas por homens desaparecidos no Amazonas

  

Mais de 140 indígenas continuam refugiados dentro do quartel do 54° Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) do Exército em Humaitá. O isolamento é uma medida de segurança, já que as ameaças contra indígenas que moram na cidade estão aumentando

  

Raolin Magalhães    
Em Humaitá, cerca de 3.000 não-indígenas incendiaram o prédio da Funai e Funasa, além de 11 carros da instituição e embarcações


Por Redação da EcoAgência*

A Polícia Federal, a Força Nacional e a Polícia Militar do Amazonas iniciaram na manhã de hoje (28) as buscas na reserva indígena da etnia Tenharim, em Humaitá (AM), por três homens que estão desaparecidos desde o último dia 16. Segundo a Polícia Federal em Rondônia, cerca de 150 homens participam da operação. 
 
As forças de segurança já atuam no local para evitar conflitos entre índios e moradores da cidade, que acusam os indígenas de terem sequestrado os homens, em represália à morte do cacique Ivan Tenharim, ocorrida no dia 2 de dezembro, entre o distrito de Santo Antônio do Matupi e a aldeia Campinhu. A PF de Rondônia instaurou inquérito para apurar o desaparecimento das três pessoas. 
 
“Houve retaliação da população por causa do sumiço das três pessoas, alguns atos de vandalismo, mas com o envio das forças federais a situação na cidade está controlada. Esses problemas estão sob controle”, explicou o agente da PF de Rondônia Mário de Azevedo Marcondes Filho à Agência Brasil. Os três desaparecidos foram vistos pela última vez de carro, no km 85 da BR-230 (a Transamazônica), no sul do Amazonas. 
 
Conforme Nota Pública divulgada ontem (27) pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), principal entidade de articulação dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira, "as aldeias já começaram a ser saqueadas e incendiadas por manifestantes ligados e bancados por madeireiros e ao esquema de grilagem existente no distrito de Santo Antônio do Matupi (Manicoré) e de Humaitá, acompanhados da polícia militar local". 
 
Hoje (28), a Nota Pública divulgada pela Operação Amazônia Nativa (OPAN), afirma que precisam ser dadas tanto as respostas às famílias das três pessoas desaparecidas quanto as respostas aos indígenas da etnia Tenharim referentes à morte do seu cacique. E atribui a incitação da violência contra os indígenas às redes sociais na internet e a imprensa local, "que passou a acusá-los pelo desaparecimento" das três pessoas não indígenas. 
 
A OPAN acredita que os responsáveis pelos ataques ao patrimônio público da União sejam madeireiros da região do distrito de Santo Antônio do Matupi. A motivação seria o fechamento de madeireiras ilegais na localidade a partir de operações conjuntas com Ibama e Polícia Federal. A Nota informa que nesse dia 27, "um grupo de aproximadamente 300 pessoas invadiu aldeias Tenharim, que em sua maioria estão ocupadas apenas por crianças e mulheres. Outro grupo de cerca de 160 pessoas, fundamentalmente composto pelas lideranças desse povo, encontra-se isolado no quartel do Exército, em Humaitá. Os 'manifestantes' atearam fogo em algumas casas e nas barreiras que os indígenas Tenharim e Jiahui utilizam para a cobrança de pedágio a título de compensação ambiental pela estrada que corta seu território (BR 230 – Transamazônica)".
 
O líder indígena Ivanildo Tenharim, em entrevista a Cley Medeiros da Midia Ninja, diz que “já são muitos anos de convivência com os brancos, não nos interessa criar inimigos. Agora depois destes incidentes todos, nós indígenas estamos preocupados com nosso futuro. A dificuldade dos órgãos para investigar o caso gerou esta revolta contra nosso povo, e nos colocou numa situação de culpados por algo que ninguém sabe o que de fato aconteceu”. 
 
Ivaneide Bandeira, coordenadora da ONG Kanindé, que trabalha com etnias do sul do Amazonas, relata que entre refugiados está uma índia Juma, que pertence a um grupo isolado. “Um indígena juma está protegida no quartel com medo. Tem mulheres e crianças na mesma situação. Isso só aconteceu porque o governo não tomou uma atitude no momento certo. Agora estão incitando a discriminação e o ódio contra os índios”, afirma.
 
“Desde que recebemos notícia do desaparecimento destas pessoas, preocupados com o que iria sobrar para nosso Povo Tenharim devido a morte do cacique Ivan, procuramos a Polícia Federal para investigar o caso, foram até o quilômetro 85 e não identificaram nada dos desaparecidos.” Continua Ivanildo: “Pedimos que seja apurado com urgência esta situação para que possamos voltar a ter Paz em Humaitá e nas nossas aldeias, porque o clima é tenso, e estamos exilados aqui no quartel e nossos parentes nas aldeias sem condições de ir e vir, porque correm sérios riscos”.
 
 
 
*com informações da Agência Brasil, do Blog Combate ao Racismo Ambiental e da Mídia Ninja

  
  
  
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