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Indígenas

Quarta-feira, 04 de Setembro de 2013

 
     

Até 80% dos garimpeiros expulsos já voltaram, denunciam yanomamis

  

Exploração ilegal em busca de ouro assola terra indígena dos yanomamis, que estimam em quase 3 mil os garimpeiros atuando na região. Suspeita é que metal abasteça sobretudo indústria de eletroeletrônicos.

  


Por Elaíze Farias, de Manaus - Deutsche Welle

A maior terra indígena do Brasil, a dos yanomamis, é também a mais visada pelos garimpeiros. Segundo estimativas da Fundação Nacional do Índio (Funai), cerca de 1.200 a 1.500 deles transitam atualmente, de forma ilegal, pelo vasto território em busca de ouro. Na conta dos próprios índios, o número de garimpeiros na região é muito maior. Em um relatório elaborado recentemente pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) e obtido com exclusividade pela DW Brasil, pelo menos 2.700 vasculham o solo atrás de ouro. Dário Yanomami, coordenador da entidade, estima que 80% dos garimpeiros expulsos das terras nos últimos dois anos já retornaram à atividade apenas um mês após sua retirada.

Operações de desativação de garimpo, destruição de equipamentos e prisões, que se intensificaram nos últimos dois anos, não têm sido suficientes para acabar com a extração ilegal. "Garimpeiro é bicho mal acostumado. É igual cupim. A gente manda embora e ele volta. São viciados, doentes", disse à DW o principal chefe yanomami, Davi Kopenawa, que pede medidas mais rigorosas, que vão além de desativação de garimpo.

Riqueza debaixo da terra

A Terra Indígena Yanomami ocupa mais de 9 milhões de hectares nos estados de Roraima e Amazonas. Os yanomamis, com uma população de 25,7 mil pessoas, e os yekuanas, em menor número, dividem a área. Além do Brasil, os yanomamis também vivem na Venezuela. A riqueza de minérios no subsolo da terra indígena atrai garimpeiros desde os anos 1970. Na década de 80, segundo os índios mais velhos, o número de garimpeiros chegou a 40 mil. Os yanomamis listam os danos provocados pela presença indesejada: contaminação de rios por mercúrio, poluição, doenças transmitidas pelos invasores e até massacres.

O ato violento de maior repercussão aconteceu em agosto de 1993, em Haximu, perto da fronteira com a Venezuela, em que pelo menos 80 indígenas morreram. O destino do ouro retirado ilegalmente também é outra incógnita para os índios, segundo Dário. Em outro documento da HAY, distribuído internamente nas línguas portuguesa e yanomami, os indígenas perguntam: "Para onde vai o ouro que sai da Terra Yanomami? Para São Paulo? Para a Europa? A Polícia Federal ainda não encontrou chefes poderosos do garimpo", questiona.

Segundo estimativa dos yanomamis, todos os meses são comercializados cerca de 30 milhões de reais de outro em Roraima, estado que concentra a maior parte da população da etnia. Localmente, os maiores beneficiados são comerciantes que vendem equipamentos para os garimpeiros, em uma atividade que, de acordo com Dário, não é investigada pelos órgãos de segurança ou apurada pela Justiça.

Armindo Góes, da HAY, alerta para as constantes quebras nas operações. Para ele, os longos intervalos incentivam o retorno dos garimpeiros. Os métodos desses trabalhadores ilegais também mudaram. "Eles não derrubam mais as árvores. Trabalham camuflados para que as vigilâncias não os encontrem. Se algum avião passar, ninguém vai ver. Esse é o relato que os nossos yanomamis que estão nas aldeias nos falam", disse Armindo.

Leia o restante da reportagem da DW

 

Deutsche Welle, parceira da EcoAgência de Notícias

  
  
  
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