Untitled Document
Boa noite, 24 de nov
Untitled Document
Untitled Document
  
EcoAgência > Notícia
   
Dia Mundial do Meio Ambiente

Sexta-feira, 07 de Junho de 2013

 
     

"Chega de vender a Mãe", dizem ambientalistas em Porto Alegre

  

Ativistas do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) caracterizaram-se de bens naturais e de planeta para representar a destruição causada pelo capital através das oligarquias  

  

EcoAgência/EF    
Ação ambientalista no centro histórico de Porto Alegre


Por Eliege Fante - especial para a EcoAgência

Em meio à tristeza provocada pelos efeitos das políticas públicas equivocadas, como a vigente em favor da Copa 2014, através do recente corte de 57 árvores para facilitar a duplicação da Avenida Edvaldo Pereira Paiva em Porto Alegre – sendo que 58 permanecem ameaçadas e outras centenas em outros pontos do município - ativistas do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) realizaram uma “intervenção artístico-política” em defesa do planeta intitulada "Chega de vender a Mãe", neste dia 05, Dia Mundial do Meio Ambiente. 
 
Segundo Vicente Medaglia, um dos intérpretes e integrante do InGá, a ideia foi informar a população sobre os acontecimentos de um modo diferente e com alegria. Durante o intervalo para o almoço, momento de grande circulação de pessoas, os voluntários caracterizaram-se de bens naturais e de planeta para representar a destruição causada pelo capital através de oligarquias e corporações em conjunto com políticos e instituições policiais e de justiça. Eles iniciaram a apresentação no Largo Glênio Peres, seguiram ao Paço Municipal e encerraram o ato na Esquina Democrática. As letras foram compostas pelos próprios ativistas e o artista popular conhecido como Zé da Terreira. "Chega de vender a Mãe, a Terra não tem preço não, tu tá querendo se vestir de verde, mas o teu papo é destruição”, alerta para as falsas soluções apresentadas às questões socioambientais e econômicas, como através da especulação imobiliária, privatização de espaços públicos e desconstrução da legislação ambiental. 
 
A Copa do Mundo Fifa 2014 tem sido o argumento utilizado nos três níveis do Executivo para acelerar o processo do licenciamento ambiental, ou seja, sem dar a devida consideração aos impactos decorrentes. De acordo com o blog do Comitê Popular da Copa o custo em mobilidade urbana que alcança um bilhão de reais, foca na intensificação do uso de carros de passeio em detrimento do transporte público coletivo e cicloviário. Cerca de 250 mil pessoas compõem o grupo dos atingidos pela política da remoção para concretizar grandes empreendimentos. Para dar visibilidade a esta situação omitida pelos grandes veículos de comunicação, os ativistas cantaram: “se a Copa vem pra cá eu vou pra onde? Se a Copa vem pra cá eu vou pra longe! Eu vou pra longe, pra muito longe, eu vou pra onde o diabo me esconde!”. 
 
O licenciamento
O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema) e a Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema), e outras, realizaram na véspera o Seminário “O que há de errado no licenciamento ambiental?”. No auditório da Faculdade de Educação da UFRGS, o advogado especialista em Direito Ambiental Marcelo Preto Mosmann, afirmou que a ingerência política é a responsável por tantos problemas no licenciamento. Seja através da indicação de secretários de estado ou de diretores sem o conhecimento necessário na área da gestão ambiental, atendendo ao interesse político partidário, seja pela desestruturação que vem sendo imposta às secretarias e órgãos ligados à proteção ambiental.  “É importante que os diretores sejam técnicos de carreira, que os principais cargos na gestão ambiental não sejam políticos,” enfatizou Mosmann.  
 
A Operação Concutare da Polícia Federal, que prendeu três secretários ambientais (dois de estado, Carlos Fernando Niedersberg e seu antecessor Berfran Rosado, e um do município, Luiz Fernando Záchia), dentre outros presos e indiciados, com o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro, mereceu o destaque dos ambientalistas por trazer à tona as comprovações de denúncias de irregularidades que vinham acontecendo em diversos setores, principalmente: mineração, silvicultura e celulose, barragens, agrotóxicos e grandes empreendimentos imobiliários. 
 
“As prisões são a ponta do iceberg de um processo de naturalização da transgressão das leis ambientais,” disse o biólogo e professor da UFRGS, Paulo Brack. As entidades ambientalistas reiteraram o apoio integral à continuidade das ações da Polícia Federal e atribuíram a ela algumas mudanças promovidas ao menos em nível estadual. Os diversos técnicos da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam) presentes no Seminário expressaram a confiança na nova direção. O engenheiro químico Nilvo Alves da Silva, também ex-presidente da fundação e um dos responsáveis pela criação e estruturação da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), entre 1999 e 2002, assumiu nessa terça, dia 4, dia em que a Fepam completou 32 anos. 
 
O representante da Associação dos Funcionários da FEPAM (Asfepam), Clebes Pinheiro, explicou as fases do processo de licenciamento ambiental e afirmou que os efeitos da negligência em qualquer uma dessas fases vão resultar em problemas irreparáveis mesmo com a aplicação de medidas compensatórias. Segundo ele, o trabalho dos técnicos da Fepam inclui a antecipação à pressão pelo licenciamento por meio da construção de documentos que sirvam de parâmetro aos empreendedores. Como exemplo, citou o macrozoneamento costeiro do litoral norte, o mapeamento da bacia hidrográfica Taquari-Antas que traz as diretrizes, dentre outras, quanto aos barramentos e o estudo que subsidia a seleção de áreas para a disposição de resíduos sólidos em Pelotas. “O licenciamento ambiental é uma das partes do trabalho da Fepam, a do controle. Somos 300 técnicos para atender as demandas de todo o Estado também na área de qualidade ambiental, responsável pelo planejamento, e nos dois laboratórios, de química e de biologia,” disse.  
 
Leia também: 
 
 
 
 
 
 
EcoAgência

  
  
  
Untitled Document
Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
 
Mais Lidas
  
Untitled Document
 
 
 
  
  
  Untitled Document
 
 
Portal do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul - Todos os Direitos reservados - 2008