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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

 
     

Nossa vida começa no solo

  
O agrônomo e pesquisador Sebastião Pinheiro encerrou módulo teórico de curso que abordou o uso de agrotóxicos e a mudança climática
  

EcoAgência    
Sebastião Pinheiro fala aos participantes do curso do NEJ-RS


Por Ursula Schilling - especial para a EcoAgência

"Hoje as piores violências são invisíveis, cujas manipulações geram medo e terror." Com essa afirmação, o agrônomo e pesquisador Sebastião Pinheiro deu início à sua fala no terceiro e último módulo teórico do curso "O desafio da cobertura jornalística diante do uso de agrotóxicos e da mudança climática". O encontro ocorreu no sábado (22), no Auditório 2 da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS), em Porto Alegre. A iniciativa contará ainda com uma saída de campo.

 

A violência de que fala Pinheiro é aquela que degrada os solos, polui as águas e os alimentos, comprometendo a saúde social, animal e ambiental. As pessoas que veem sua sobrevivência em xeque por conta das condições socioeconômicas, porém, visualizam como violência somente as agressões físicas ou verbais que sofrem em seu cotidiano, o que reforça a "alienação gananciosa" que governos e grandes empresas ocultam, e que é mais notável em contexto de miséria e ignorância. Para Sebastião, esta violência universal provoca a ruptura do vínculo ético ultrassocial de produtores e consumidores.

 

"Somos seres ultrassociais como os cupins, formigas, abelhas e toupeiras, onde uma parte da população alimenta todos os outros que trabalham sem se preocupar com comida (ou defesa), pois há os que dão a vida por todos", ilustra o pesquisador. Para ele, quando se rompe nosso vínculo com o solo – o agricultor produz para exportar e compra comida industrializada do supermercado – deixamos de ser ultrassociais.

 

O solo é nosso segundo coração

Ao afirmar que o solo é nosso segundo coração, Sebastião Pinheiro parte do princípio de que é dele que provém o que alimenta tudo e todos. Segundo essa lógica, não é difícil compreender a relação entre o que a sociedade de monoculturas tem feito e os efeitos desastrosos, além de grãos transgênicos e carregados de agrotóxicos, que estão sendo colhidos. Uma terra infértil e envenenada abriga uma população na qual aumentam, exponencialmente, os casos de reprodução assistida, de câncer e de doenças neurológicas.

 

O modelo industrial de agricultura, baseado no arroz, no trigo, no milho e na soja, enriquece poucos e empobrece o cardápio de muitos. Sofre nossa saúde e a do planeta. “O maior problema internacional na atualidade é a contaminação dos lençóis freáticos onde uma grande maioria de agricultores usa a água diretamente sem nenhum tratamento com sérias repercussões sobre sua saúde”, assevera Pinheiro. O agrônomo também ressalta que tais casos são recorrentes no Rio Grande do Sul.

 

Some-se a isso a questão da mudança climática, decorrente da insustentável emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera, o que está diretamente ligado ao manejo do solo, uma vez que o glifosato, herbicida amplamente utilizado nas monoculturas, mata o microbioma, pois “sequestra” seus minerais. "Reverter essa situação requer aumentar a biodiversidade do microbioma do solo, pois, com isso, temos a fixação de carbono, nitrogênio e enxofre e a regulação dos ciclos na natureza, afugentando os riscos de mudança climática", aponta o agrônomo.

 

Toda comodidade é cara

“Que preço vamos pagar?” foi uma das provocações trazidas por Sebastião Pinheiro. Para ele, alta é a conta - que já está sendo paga – por substituirmos alimentos que a natureza nos dá, por comida processada como o leite materno, uma “dádiva da vida”, pelo leite em pó. “A primeira indústria do mundo é a dos alimentos, e a propaganda nos faz comprar o enlatado, mas não percebemos isso”, sentencia, admitindo que reproduzimos um modelo de educação também industrial. “Aprendemos errado, aprendemos a dissecar ao invés de gerar vida”, lamenta.

 

A verdade é luz

Ao ser questionado se a realidade não o desanima, diz: “por que vou ficar deprimido com a verdade? A verdade é luz!”, afirma o pesquisador, que faz questão de se declarar um otimista. Para ele, é preciso retornar às origens. “Temos que entender nossa alimentação, pois somos o que comemos”. “A vida não é um negócio e a solução está conosco”, completa.

 

O curso é realizado pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), com o apoio da Fundação Luterana de Diaconia (FLD). Ao final do curso, os participantes vão receber certificado. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas através do email ecoagencia@gmail.com

 

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