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Quarta-feira, 06 de Novembro de 2013
  
E por que não, doutora?

 Defender os animais, silvestres ou domésticos, está longe de ser socialmente assimilado. Mas é bom que todos se acostumem, isto veio para ficar, não faltam razões, que não cabem aqui, para justificar este movimento.

  
Por Ulisses A. Nenê
  
Com o rebuscamento de uma doutora de ciência política, a professora Celi Pinto trouxe a esta página o que é, na verdade, um clichê, um lugar comum, que costumam assacar contra ambientalistas e protetores dos animais, de uma suposta indiferença para com os problemas sociais, como as crianças pobres. A doutora apenas amplia um pouco a questão, indagando se essas pessoas se emocionariam com os campos de refugiados pelo mundo e outras situações de calamidade humanitária.
 
É a minha vez, a nossa vez, de perguntar: e por que não, doutora? Tanto quanto em outros grupos, protetores e ambientalistas têm sentimentos, têm ideologias, são muito humanos, e não há nada que justifique suspeitar-lhes, de forma genérica, tamanha insensibilidade. Pelo contrário, salvo exceções, cultivam um enorme respeito e senso de responsabilidade pela vida em todas as suas formas, especialmente as mais frágeis e mais indefesas.
 
Muitos talvez não se deem conta do quanto são injustos quando criticam cidadãos e cidadãs que desempenham um papel social tão relevante. Basta pensarmos nas zoonoses e nas campanhas que as ONGs de protetores realizam de adoção, castração, vacinação, desverminação de animais, sem nenhum centavo de dinheiro público, para percebermos a sua importância para a saúde pública. O que há de fútil nisso?
 
Mesmo assim, infelizmente, temos visto manifestações preocupantes de má vontade, preconceito e intolerância em relação a quem abraça causas até pouco tempo consideradas fora da ordem e que hoje alcançam uma importância que ainda não coube nos esquemas de valores de quem continua preso ao século 20, um século muito trágico para a humanidade, aliás.
 
Anos atrás, defender o meio ambiente, causa a qual estou mais ligado, era considerado “frescura” até nos meios de esquerda, e ainda hoje essa bandeira encontra resistências. Defender os animais, silvestres ou domésticos, então, está longe de ser socialmente assimilado. Mas é bom que todos se acostumem, isto veio para ficar, não faltam razões, que não cabem aqui, para justificar este movimento.
 
O importante é que vivemos numa democracia, onde cada um pode escolher a sua causa para defender, a causa pela qual se acha capaz de fazer alguma coisa, porque isso também é uma vocação. Pode-se inclusive apoiar ou participar de mais de uma causa ao mesmo tempo, por que não? Há muitas causas justas pelas quais lutar, pelas crianças, idosos, índios, pessoas com deficiência, florestas, rios, animais e outras, sem que se excluam, necessariamente.
 
No caso específico que gerou este debate, a ação de protetores contra um laboratório de pesquisas acusado de maus tratos a animais, lembremos que a escravidão já foi considerada normal, assim como a submissão das mulheres ao homem, o racismo e o trabalho infantil. Falar, agir contra isso também era considerado exótico, absurdo, intolerável. E toda intolerância é perigosa, não é preciso ser doutor em ciência política para saber disso.

- Jornalista, membro do Núcleo de Ecojornalistas do RS. Artigo publicado originalmente no jornal Zero Hora, de Porto Alegre.
  
             
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