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Quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2009
  
A pecuária sustentável e a sobrevivência do Pampa

Produtores de uma associação com sede em Bagé (RS) produzem carne certificada, com selo de qualidade, em pastagem natural, sem ração ou confinamento.

  
Por Najar Tubino
  

O Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do planeta – número que varia  de 175 a 190 milhões de cabeças, conforme a fonte. No Rio Grande do Sul, berço original das raças européias, o rebanho conta com 13 milhões de cabeças. Na visão gaúcha sobre a perspectiva do mercado da carne brasileira, o produto local é melhor, a carne é mais macia, tem gordura entremeada, entre outras coisas. A realidade do mercado mudou. O rebanho brasileiro é formado na sua maioria por animais da raça Nelore, ou cruzados com eles – isso inclui uma parte do rebanho do RS. O Nelore é um gado indiano, criado na Província de Masdras. Tem uma história de mais de 5 mil anos.

No Brasil, começou a ser importado no século XIX, quando os mineiros do Triângulo – região de Uberaba – começaram a se aventurar na Índia. As importações oficiais terminaram em 1962 – porém, o contrabando continuou. O que aconteceu  é o óbvio: as raças indianas nasceram, se formaram e evoluíram no Trópico. No Brasil, principalmente na região do Cerrado, o rebanho contou ainda com as pastagens africanas, adaptadas ao Brasil – as conhecidas braquiárias.

Qualidade

Hoje, somente entre os dois Mato Grosso existem mais de 50 milhões de cabeças. O Pampa gaúcho, que não é somente uma porção brasileira, mas envolve ainda Argentina e Uruguai, mantém criações de bovinos há séculos. Em especial, duas raças britânicas: o Hereford e o Aberdeen Angus. Mas isso também não significa muita coisa, se pensarmos em escala industrial, que é a regra do mercado. Por exemplo, o abate brasileiro é muito superior a 40 milhões de cabeças, anualmente. Quantidade não é sinônimo de qualidade.

Carne nativa

Nos últimos anos aconteceram algumas mudanças na produção de carne de boi: na parte genética, melhoramento de reprodutores – tanto masculinos como femininos, e também na parte nutricional – pastagens cultivadas, campos melhorados e o reconhecimento da potencialidade das pastagens nativas. Ou seja, os campos naturais do pampa, e também de outras regiões. Numa entrevista com o diretor de pecuária de corte da Farsul (Federação da Agricultura e Pecuária do RS), Fernando Adauto de Souza, pecuarista em Lavras do Sul – ex-presidente da Cooperativa de Carnes de Bagé-, conheci o projeto da Aprocampo (Associação dos Produtores de Carne Nativa do RS), com sede em Bagé. Atualmente conta com 52 associados, e envolve um área de 14 municípios, entre eles, Candiota, Hulha Negra, Dom Pedrito, Aceguá.

Movimento

O objetivo da associação é simples: produção de carne certificada – carne do Pampa -, incluindo selo de qualidade, tipo o vinho do Vale dos Vinhedos, produzida em pastagem natural. Campo nativo do Pampa, sem nenhum tipo de suplementação de grãos, ração, ou confinamento. É permitido apenas a semeadura de uma pastagem de inverno (azevém, por exemplo), durante o período mais crítico do ano.

O movimento da Aprocampo é parte de uma organização internacional, envolvendo produtores na Argentina, Uruguai e Paraguai. Já realizaram dois encontros técnicos nos últimos anos. Mais importante ainda é o apoio logístico de uma entidade internacional, extremamente reconhecida, que é a Bird Life – a princesa do Japão Masako , preside a organização.

Um protege o outro

É fácil de entender. Se o produtor conserva o campo natural, também conserva  a vida animal e vegetal, portanto, um protege o outro, e todos se conservam vivos. Entretanto, a carne de origem nativa, tem outras qualidades. No caso nutricionais. Uma pesquisa da especialista do Instituto de Tecnologia de Alimentos da Argentina, Pilar Teresa Garcia, ligado ao INTA ( a Embrapa deles), mostra a importância do produto:

- A dieta animal, diz ela, tem importância ao determinar as características nutricionais da carne bovina. A carne de pastagem natural apresenta essencialmente um maior aporte de ácidos graxos como Omega 3 e de CLA (isômeros conjugados do ácido linoleico), assim como uma relação ótima Omega 6/ Omega 3. Estas trocas afetam o valor nutricional devido ao efeito benéfico do Omega 3  na fisiologia humana, na prevenção de doenças cardiovasculares, hipertensão, desordens inflamatórias e no sistema imunológico, assim como disfunções neurológicas”.

Salmão bovino

Mais um pequeno trecho do trabalho da pesquisadoras, apresentado numa palestra da Jornada de Atualização Pecuária da região Centro do Movimento CREA, na Sociedade Rural de Rio Cuarto.

- Estas diferenças refletem as diferenças da composição da dieta, pois os grãos são ricos em Omega 6 e as pastagens em Omega 3. A relação dos ácidos graxos Omega6/ Omega 3 é ótima nos sistemas pastoris naturais, ainda que com suplementações estratégicas, porém se eleva notavelmente nos sistemas intensivos (confinamento), sem acesso a pastagens. O aporte dos isômeros conjugados do ácido linoleico (CLA) também é maior nas carnes pastoris”.

Vou citar alguns dados das tabelas apresentados no trabalho da pesquisadora. O Omega 3 encontrado no contra – filé, o maior músculo bovino- cientificamente chamado de longissimus dorsi-, é 84, na carne produzida em pastagem nativa.  No gado confinado é 32. Omega 6 é 143 no contra – filé da carne de pastagem nativa e 318 no gado confimado Se comparada com outras carnes, a relação entre os ácidos graxos Omega, no caso do peixe, seria 1, na carne nativa 1,7, no gado confinado 10 e nas aves, um número ainda maior (galinha produzida industrialmente).
 


Najar Tubino é jornalista, palestrante sobre meio ambiente e autor do livro O Equilíbrio - Educação Ambiental (à venda). najartubino@yahoo.com.br

  
             
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Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
           
 
  Comentários
  
Klaus - 10/03/09 - 20:32
Olá!! Interessante a matéria sobre a diferença das criações de gado. Na minha opinião o consumo dessa carne é o pior que alguém pode fazer ao meio ambiente pois qualquer sistema que seja disperdiça em muito os recursos do planeta. Para se produzir um bocadinho de carne pelo sistema convencional é necessário desmatar para plantar o alimento do boi e de qualquer maneira é preciso muuuuita água potável e ainda muito espaço pro próprio bixo. Em vez disso nós podemos retirar todos nutrientes que necessitamos de fontes variadas. Considero que seja um luxo desnecessário consumir a carne bovina. Um abraço!! Klaus
jose souza - 10/06/09 - 20:49
Li a materia e concordo plenamente que e possivel produzir sem agredir o meio ambiente, pois trabalho em uma propriedade que usa somente o campo nativo como principal alimento para o gado.E os resultados sao fantasticos,falo da FAZENDA CONQUISTA de NILO ROMERO convido a visitar e conferir os resultados.
 
  
  
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