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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
  
A manipulação e o mutirão

No caso da orla do Guaíba, o debate fica entorpecido porque o maior grupo de comunicação do Estado faz  parte do mercado imobiliário, ou seja, tem uma empresa na área.

  
Por Najar Tubino
  

Porto Alegre, a capital  mundial  do  Fórum Social, vai novamente voltar às manchetes. Entre  os dias 12 e 17 de julho, no Centro de Eventos da PUC, será realizado o Mutirão de Comunicação – América Latina e Caribe-, um evento que vai analisar os processos de comunicação e cultura solidária. www.muticom.org

Dom Dadeus Grings, arcebispo metropolitano de Porto Alegre e Presidente do Mutirão de Comunicação:

- Construir uma sociedade mais justa  e solidária. Fala-se, com propriedade, de três peneiras para apurar nossa comunicação, tanto para transmitir como para receber. A primeira peneira é a verdade. Não permite servir-se dela para mentir ou enganar. A segunda é a bondade. Apura o seu valor, na base do critério do que o próprio comunicador gostaria que fosse  dito a respeito dele. E a terceira representa a necessidade de comunicar o que efetivamente ajuda alguém. Com estas três peneiras a  comunicação está apta a criar um clima de fraternidade dentro do objetivo que o evento nos propõe: de uma  cultura solidária, numa sociedade comprometida com a  justiça, à liberdade e paz.

Integração latina

O mutirão é organizado pela OCLACC (Organização Católica Latino-Americana e Caribenha de Comunicação, Celam – Conselho Episcopal Latino-Americano), CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), UCBC (União Cristã Brasileira de Comunicação Social) e mais uma série de outras entidades civis, além da PUC/RS e da Unisinos. Segundo o padre Marcelino Sivinski, coordenador geral são esperados 3 mil profissionais da área, e ao mesmo tempo, estarão envolvidas no evento, 50 mil pessoas. Ele será transmitido pela internet, com integração de fóruns regionais no México, Chile e, provavelmente, Argentina. 37 países participarão do Mutirão.

Comecei o texto ao contrário. Primeiro comentei o mutirão. Agora vamos à manipulação,  seguindo ainda o exemplo porto-alegrense, cidade da qual sou nativo, embora tenha ficando afastado durante 16 anos. Já é público e notório o debate sobre  a privatização da orla do rio, estuário ou curso d’água, conforme resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), chamado Guaíba. Uma dúzia de espertos especuladores imobiliários está querendo transformar a orla do Guaíba, onde se vê o melhor pôr-do-sol do mundo (na versão gaúcha), numa Camboriú  de água doce.

Debate de Mentira

A cantilena é  sempre a mesma: empregos, progresso. Para eles e seus  descendentes, é óbvio. No caso específico, o debate fica entorpecido porque o maior grupo de comunicação do Estado faz  parte do mercado imobiliário, ou seja, tem uma empresa na área. Adivinhem para que eles torcem? Não vou responder. O debate, na minha opinião, não existe. Para ter debate democrático é preciso espaço igualitário às diferentes opiniões. O que se vê na valorosa imprensa rio-grandense , puxa-saquismo puro. De alto quilate.
Um dos maiores sintomas dessa mediocridade reinante, está justamente nos veículos, que é lógico, são comandados e instrumentalizados, por coleguinhas. Muitos ávidos em agradar o poder. Como tenho dito a  alguns amigos mais chegados , nunca vi tanto medíocre junto, no poder.

Propriedade do Estado

A Ponta do Melo, a parte geográfica da orla, que a BM Participações pretende ocupar -  a sigla significa Blairo Maggi, governador do MT e considerado o rei da soja no mundo- é um filé mignon do mercado imobiliário.E a ponta de lança do projeto dos especuladores espertinhos. Todos se consideram acima da lei. porque estão legislando em causa imprópria, pois nem a prefeitura da cidade tem condições legais de autorizar uma construção. A orla é propriedade inalienável do
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Está na constituição do RS.

Nesta semana, os vereadores da capital, fizeram mais uma firula. Aprovaram o veto do prefeito, ao projeto que – um grupo de 16 deles-, havia aprovado na mesma casa legislativa. Logo em seguida, aprovaram o regime de urgência, para definir como será a consulta popular, sobre o dito imbróglio. Os 10 dias de prazo encerram na sexta-feira de carnaval. Querem fazer a consulta democrática em 90 dias. Sou obrigado a assistir esta palhaçada. Já estou ficando enjoado desta artimanha medíocre. Sinceramente terei que respirar novamente o ar do cerrado, por um breve período, para não ter que  vomitar em público, numa dessas sessões democráticas.

  
             
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