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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
  
Águas acima, águas abaixo, todos estamos conectados

As atividades que se realizam águas acima indiscutivelmente afetam o que está águas abaixo, não apenas a água, mas tudo que abarca a bacia hidrográfica: a água superficial e subterrânea, o solo, as plantas, os animais, o ar, os seres humanos.

  
Por Doraldina Zeledón Úbeda
  

Como funcionam as bacias hidrográficas e seu manejo é o tema do Dia Mundial das Zonas Úmidas de 2009, em 2 de fevereiro, data em que se comemora a adoção da Convenção Internacional de Zonas Úmidas, realizada em 1971, na cidade de Ramsar.

As zonas úmidas são áreas superficiais que dependem da água, como os pântanos, manguezais, zonas ribeiras e costas, ilhas, extensões marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros. Suas funções são captar, armazenar e purificar a água, e recarregar os aquíferos subterrâneos; a produção pesqueira e apoio à diversidade biológica.

O lema é “Águas acima águas abaixo, as zonas úmidas nos conectam todos”. Ele expressa o que temos visto, vivido e provocado, talvez sem ser conscientes do problema: as atividades que se realizam águas acima indiscutivelmente afetam o que está águas abaixo. Não apenas a água, mas tudo o que abarca a bacia hidrográfica: a água supercial e subterrânea, o solo, as plantas, os animais, o ar, os seres humanos. Por que as zonas úmidas são parte das bacias hídricas e estão interconectados entre si.

Uma bacia hidrográfica é uma superfície irrigada por um rio e seus afluentes, lagos, reservatórios e pântanos conectados a ele, incluindo  aqüíferos subterrâneos, “é como uma gigantesca banheira que recolhe  toda a água que cai em suas laterais e envia toda a chuva que cai sobre a terra de seus arredores a um rio central e logo ao mar”, diz a Convenção Ramsar. Por exemplo, a Bacia 69, do Rio São Juan de Nicarágua, que abarca vários rios e os lagos.

Se observamos as atividades que se realizam, por exemplo em um rio ou em suas margens, podemos compreender como estamos interconectados por meio da bacia e como afetam as diferentes atividades,  pelo que é  necessário desenvolver o sentimento de pertencimento e amor a essa bacia, inclusive conhecê-la, para que nos motivemos a cuidá-la; já que dependemos dela, como dependemos do sangue e oxigênio que irrigam nosso corpo.

Se um rio é usado para dar água ao gado, quem vive rio abaixo receberá a água contaminada. As águas residuais que se descarregue nele, os agrotóxicos, os resíduos sólidos, afetam todo o sistema. Mas não é só a contaminação, também o uso do recurso. Se na parte de cima se extrai água para irrigação, ou se constroem represas, diminuirá o caudal na parte de baixo.

Além da contaminação o uso da água, estão outras atividades que afetam às zonas úmidas: desmatamento, urbanização, pavimentação. Por tudo isso se necessita a planificação não só do uso dos recursos hídricos, mas de todas as atividades de cada bacia.

Poderíamos argumentar que não utilizamos tanta água. De maneira direta pode ser, mas indiretamente somos consumidores, de diferentes formas: se comemos carne, estamos consumindo água; o mesmo no café, hortaliças, frutas, peixes; tudo que consumimos necessita água. A construção de nossas casas requer água, para a mescla do cimento ou barro, para a fábrica de tijolos. Se são de madeira, as árvores necessitam de água para crescer. A fabricação de nossa vestimenta, necessita água. Também a precisamos para atividades recreativas. Às vezes nosso trabalho depende dela,  que fariam os construtores sem água? Ou os produtores de café ou criadores de gado? Nos escritórios necessitamos de água para a limpeza. Como  poderíamos fazer pão sem água? Ou nos deleitarmos com a beleza de uma flor ou a dança de um colibri se não houvesse água para o jardim?

Também podemos pensar que nem todos a contaminamos. É certo que contaminam mais as indústrias, o gado, a agricultura, o turismo. Mas por acaso não somos usuários desses serviços? Estamos dispostos a ficarmos sem trabalho se fecham uma indústria que contamina? Tampouco é permitir. O trabalho é incidir, ajudar a que não se contamine e não se use indiscriminadamente. Daí a necessidade de identificarmos uma bacia hídrica e participar para protegê-la.

Além disso, também contaminamos desde nossa casa, com detergentes, cloro, azeites, resíduos sólidos. Vertendo a água da chuva na rede de esgotos. Ou jogando o lixo na rua, que logo é arrastada para as correntes. Tudo isto vai parar numa fonte de água, e como estão interconectadas, afeta a toda a bacia.

Isto não implica deixar de utilizar a água, mas fazê-lo racionalmente e incidir para que se criem e apliquem políticas de gestão para os diferentes usos das bacias, incluídas as transfronteiriças. Por isto, o caso da mina em Las Crucitas, Costa Rica, deve  preocuparnos, pois afeta a bacia do Rio San Juan.

É interessante a mensagem da Comissão Ramsar: “TODOS vivemos em uma bacia hidrográfica. Esta faz parte de nosso endereço postal: rua, número, cidade, província e bacia!” Então, é preciso começar por identificarmos a nossa bacia e nos interessarmos por sua gestão.       

Doraldina Zeledón Úbeda, Monseñor Lezcano, Manágua, Bacia 69, Nicarágua. doraldinazu@gmail.com
Tradução de Ulisses A. Nenê para a EcoAgência.

  
             
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Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
           
 
  Comentários
  
Ulisses A. Nenê - 17/02/09 - 17:10
Excelente artigo, parabéns à autora.
 
  
  
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