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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014
  
Por que as pessoas fecham os olhos aos acontecimentos em Fukushima?

A exposição aos altos níveis de radiação nuclear é sem precedentes e está piorando constantemente. Pesquisador retoma os 28 sinais de que a costa oeste da América do Norte está sendo “frita"

  
Por Sebastião Pinheiro
  

Telespectador letárgico, assistindo à Rússia x Coréia do Sul, vi uma bandeira russa agitada com a inscrição em cirílico TOMCK. Lembrou-me Tomsk, a cidade secreta, centro de enriquecimento de plutônio e urânio para o complexo militar soviético criado em 1947, onde ocorreram alguns desastres, e em 1993 uns dos maiores desastres nucleares militares recentes (TOMSK-7), também um dos mais ocultos, o que não pode ser feito com Fukushima, pois “o mar chega à todos”, como dizia nossa querida Rachel Carson em sua obra máxima The Sea around us.

 
Em 21 de outubro de 2013, Michael Snyder publicou um texto com os “28 sinais que a Costa Oeste dos EUA está sendo frita pela radiação de Fukushima”. Um mapa (Nuclear Emergency Tracking Center) respalda sua denúncia o qual mostra os níveis de contaminação radiativa existentes nos EUA e, sua colônia, Porto Rico. Recentemente, ambientalistas ainda desconheciam tal informação.
 
Indução e manipulação pelo poder alteraram o “Pensar globalmente e Agir localmente”? Antigamente todo ambientalista lúcido e ativo era denegrido com o termo “ativista de plantão”.  Os tempos mudaram; hoje muitos “ambientalistas” ocupam espaçosos escritórios nas Federações de Indústria, Diretoria de Meios de Comunicação ou Assessorias Parlamentares. Foram treinados no Reino Unido e nos EUA em Environment Policy ou na Alemanha em Umwelt Verwaltung. Usam o jargão ambientalista com desenvoltura. Suplantam ou inibem aqueles autênticos arcaicos ou os novos que consomem meio ambiente, o que torna valiosíssimo o material de Snyder.
 
O mapa assinala 15 pontos com níveis de radiação (Radcon 3 elevada) e ao redor do Reator “derretido” de Three Miles Island na Pensilvânia é (Radcon 4 preocupação/vigilância). Será por isso que a radiação que chega de Fukushima não é tratada com seriedade? Será impotência pela inexorabilidade da situação ou cumplicidade financeiro-ideológica?
 
Durante a Guerra Fria reatores nucleares eram essenciais, não para energia elétrica, mas à produção de explosivo para bombas nucleares e termonucleares. Os riscos operacionais eram minimizados pelo objetivo verdadeiro e escondidos em ambos os lados. Contudo, os perigos na concentração e purificação com Red Oil (Tri Butil Phosfato) a quente com querosene, como os acontecidos em Hanford em 1953 no Estado de Washington ou em 1953 e 1975 em Savannah River no Tennessee, permaneceram altamente sigilosos. Em Seversk (TOMSK-7) na Rússia, em 1993, não houve nenhuma publicidade ou comoção pela ordem mercadológica globalizada, que modelou o tratamento ao público do problema em Fukushima. Ambientalistas sem informação ignoram a realidade ou temem o epíteto de terrorismo.
 
Nos meses após o teste desastrado em Chernobyl, o RS recebeu leite em pó, carne e banha de porco contaminada e importada pelo governo Sarney. A ação de jovens ambientalistas gaúchos impediu a venda e o consumo e, uma parte daqueles alimentos foi transportada para outros estados e outra foi confiscada pela justiça, como as ações na justiça demoraram, o alimento tornou-se impróprio e tudo foi destruído. Muito tempo depois, a Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS promoveu junto com o Instituto Goethe a apresentação (e debate) da película alemã Die Schlacht von Tschernobyl (O massacre em Chernobil) sobre a catástrofe no Reator IV (teste militar desastrado) que ameaçou a Ucrânia e Bielorússia e consequências em toda a Europa que permaneceu em segredo durante uma semana, sendo descoberto pela contaminação na Suécia.
 
O mundo viveu desesperado. Um amigo e colega salvadorenho, bolsista (Agronomia), viveu em Kiev de 1985 a 1990.  Ele contou que começou a perder o cabelo não só da cabeça, mas de todo o corpo, inclusive das sobrancelhas, logo após o acidente e que isso espantou a todos.  Mas que compreendeu que o hábito de se banhar todos os dias o expôs à contaminação da água...
 
O mapa do Nuclear Emergency Tracking Center (Central de Controle em Emergência Nuclear) mostra os elevados níveis de radiação nas estações de monitoramento em todo o país. Como pode ser notado ao longo da costa oeste dos EUA. A cada dia, 300 toneladas de água radioativa de Fukushima entram no Oceano Pacífico. Isso significa que a quantidade total de materiais radioativos liberados de Fukushima aumenta constantemente em nossa cadeia alimentar.
 
Em última análise, a radiação nuclear vai permanecer por muito tempo e poderia levar 40 anos para limpar o desastre de Fukushima, e, entretanto, pessoas inocentes vão desenvolver câncer e outros problemas de saúde como resultado da exposição a altos níveis de radiação nuclear. Isso é absolutamente sem precedentes, e está piorando constantemente. A seguir estão 28 sinais de que a costa oeste da América do Norte está sendo absolutamente frita por Fukushima:
 
- Ursos polares, focas e morsas ao longo da costa do Alasca estão sofrendo com a perda de pele e feridas;
 
- Há uma epidemia de mortes de leões marinhos ao longo da costa da Califórnia;
 
- Ao longo da costa do Pacífico do Canadá ao Alasca, a população de salmão está em uma baixa histórica;
 
- Uma vasta ilha flutuando de detritos de Fukushima do tamanho do Estado da Califórnia atravessou o Oceano Pacífico e chega à costa oeste;
 
- A radioatividade das águas costeiras no oeste dos EUA poderia dobrar nos próximos cinco a seis anos;
 
- Especialistas encontraram altos níveis de Césio137 em plâncton entre o Havaí e a Costa Oeste;
 
- Na Califórnia, todos os atuns analisados estavam contaminados com a radiação de Fukushima;
 
- O jornal Vancouver Sun denunciou que peixe importado do Japão estava contaminado com Césio137, sendo 1.000 becquerel por quilo de césio;
 
- Alguns especialistas acreditam que nós poderíamos ver níveis muito elevados de câncer ao longo da costa oeste apenas de pessoas que comem peixes contaminados;
 
- Recentemente, a BBC News informou que os níveis de radiação ao redor de Fukushima são "18 vezes maior" do que se acreditava anteriormente;
 
- Um estudo financiado pela União Européia concluiu que Fukushima liberava até 210 quatrilhões de becquerels de Césio137 na atmosfera;
 
- A radiação atmosférica de Fukushima que atingiu a costa oeste dos Estados Unidos em 2011 retorna aos níveis deste ano;
 
- Neste momento, 300 toneladas de água contaminada de Fukushima vertem ao Oceano Pacífico, diariamente;
 
- Um cientista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas do Japão diz: "30 bilhões de becquerel de Césio radioativo e 30 bilhões de becquerels de Estrôncio radioativo" estão sendo liberados no Oceano Pacífico, diariamente;
 
- A Tepco diz que entre 20 trilhões e 40 trilhões de becquerels de Trítio radioativo é jogado ao Oceano Pacífico desde o desastre de Fukushima;
 
- Um professor da Universidade de Tóquio diz que três gigabecquerels de Césio137 flui para o porto de Fukushima diariamente;
 
- Estima-se que é 100 vezes maior a radiação nuclear liberada em Fukushima que a total liberada no desastre de Chernobyl;
 
- Um estudo recente concluiu que uma grande nuvem de Césio137, a partir do desastre de Fukushima, chegará as águas costeiras dos EUA no início do próximo ano;
 
- Simulações mostram que a pluma de Césio-137 liberada pelo desastre de Fukushima alcançou águas costeiras dos EUA no início de 2014 e terá o nível máximo em 2016;
 
- Estão sendo projetados níveis significativos de Césio137 em todos os rincões do Oceano Pacífico até 2020;
 
- O Oceano Pacífico, em breve, "terá níveis de Césio de 5 a 10 vezes maiores" do que aquilo a que assistimos durante a era dos testes com armas nucleares no Pacífico em muitas décadas;
 
- A imensa quantidade de radiação nuclear no Oceano Pacífico provocou o ativista ambiental Joe Martino a emitir o aviso: “Seus dias de comer peixes do Oceano Pacífico terminaram”;
 
- O Iodo131, Césio137 e Estrôncio90 que vêm constantemente de Fukushima afetam muito a saúde dos que vivem no Hemisfério Norte;
 
- De acordo com um recente relatório Planeta Infowars, a costa da Califórnia está sendo transformada em "zona morta";
 
- Estudo realizado no ano passado constatou que a radiação do desastre nuclear de Fukushima poderia afetar negativamente a vida humana ao longo da costa oeste da América do Norte e do México ao Alaska "durante décadas";
 
- O The Wall Street Journal diz que a limpeza de Fukushima pode levar até 40 anos para ser concluída;
 
- O Professor de Yale, Charles Perrow, adverte que se a limpeza de Fukushima não for feita com 100% de precisão, a humanidade poderá ser ameaçada "por milhares de anos".
 
 
 
Você está começando a entender por que tantas pessoas estão tão profundamente preocupadas acerca do que está acontecendo em Fukushima?
 
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